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  • Rumo à Cura do Luto

    Superando a dor. ...Então eu te virava as costas ao silêncio. Em meia luz, o som do teclado parecia passos de fantasmas. Te oferecia um chá. Procurava teus olhos, tua atenção, teus sonhos... Ouvia sem palavras as descrições bem elaboradas dos encontros dos amantes. Elas pulavam do teclado e faziam festa em sua escrivaninha. "Clement encontrou Catharina meu amor?" Ele, volta-se pra mim e diz: "Obrigado pelo Chá. Sim, encontram-se em Roma e estão próximo a concluir a investigação. Você não escreve seu romance hoje?" E assim continua a vida de dois escritores... Até que um dia as estações mudam e também mudam-se capítulos e páginas... Tudo passa e chegamos ao outono. Minha estação favorita. Alguns detalhes no vídeo abaixo: "Viva cada estação enquanto elas duram, respire o ar, beba a bebida, saboreie a fruta, e deixe-se levar pelas influências de cada uma."Henry David Thoreau Não seremos nós também um livro que alguém ler?

  • O Som da Dor

    Sim, há necessidade de silenciar em tempos e tempos. Quando escrevo é uma das formas mais serenas da minha expressão. vou bordando a dor, colorindo gotas de lágrimas em tons de nuvens em suas estações. Como a dança e a música, meu corpo se move sobre o sagrado mistério de expressar a alma. Às vezes toco e danço sem ritmo. Dependendo do meu desenvolvimento cognitivo, eu acerto os passos mas isso não é sempre e também não importa. Os sons vão se harmonizando de acordo com o movimento das minhas mãos ou qualquer parte do corpo que se permite mover. Retiro sons de tudo, folhas caindo, tambor, pedras, águas, tudo canta! Os sons e ritmos se organizam de acordo com a mente. Eu nunca preciso ser perfeita, eu preciso ter coragem para tocar e dançar até que em algum momento consiga ver as notas musicais dançando e se aconchegando umas às outras em um grupo de harmonização. Às vezes sinto como se estivesse tocando e dançando em um vazio negro. Como se já tivessem passado 4 bilhões de anos e a Terra não existisse mais e ninguém me ouvisse. "E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música"(Friedrich Nietzsche) Era um sábado de verão, um dia depois da morte do Jüergen. Estava andando no corredor da clinica sem saber direito para onde iria. Entrei devagar na sala de terapia musical. Havia um grupo de 5 pacientes. A Terapeuta musical Senhora Merlau, estava envolvida em sons e um pouco enlouquecida como quem procura por algo perdido apressadamente. Tirava notas musicais de vários instrumentos, sem ritmo, sem planejamento, apenas extraia sons. Sentei silenciosa próximo a um Djembé e comecei a tocar. Ela levantou a cabeça e falou surpresa erguendo as sobrancelhas e fixando os grandes olhos azuis em mim: "- Senhora Weller. Wie geht es dir?" Ela perguntou em alemão e as lágrimas escorreramem minha face. "Ah, ok, continue tocando" Ela disse. Eu fazia o Djembé soar a minha dor. O ritmo das minhas mãos sobre o couro ressoava como uivos de um lobo em noite de luar. Às 8:30 da sexta Jüergen parou de respirar. Pensei: Dez horas antes eu tinha sentado à beira da morte, atordoada pela quietude do adeus. A morte tinha um cheiro doce no corpo de Jüergen. Era salgado em sua pele ferida e pálida, áspero em sua respiração ofegante. A morte pairava nos longos silêncios após cada expiração, mas era a única saída para o sofrimento. Havía lido poemas e feito orações durante dias no seu leito. Tínha esfregado seus pés com óleo e acariciado seu rosto. Eu não poderia ir com ele e não sabia como poderia ficar. Ele dizia antes de morrer: "Vamos viajar comigo" Eu perguntava para onde ele estaria indo. Dizia o nome dos paises que ele mais gostava de viajar e ele riu, riu várias vezes um riso doce e sereno da minha brincadeira de adivinhar. "Ha, ha, Itália - ele ria. Espanha, Marrocos, Áustria e finalmente... Suspiro profundamente:" - Céu?" Então ele riu de um jeito terno e carinhosamente falou: - Você é uma idiota. E eu perguntei : E você? Ele disse: "Ich Auch" Eu também em alemão. Nós usávamos este pequeno diálogo quando brigávamos sem motivo. Mas sei que ele ficava muito zangado quando eu recusa a ir com ele para algum lugar onde ele queria minha companhia. Sua respiração continuava fraca, em alguns momentos ele apontava o lugar da dor e gemia um "Ai" cansado. Seus olhos perdidos naquele limiar misterioso entre a antiga vida e uma nova. Jüergen nunca parou de lutar. Era um guerreiro ferido em sua última batalha. Então ele fez sua última viagem. A Senhora Merlau tocou lindamente a canção do Bob Marley " No Woman No Cry" Eu dancei a dança da dor e cantei a música em português. Essa era a forma de expressar na línguagem universal da arte, os sentimentos. Sim, porque ele amava músicas e artes. Ele gostava de me ver dançar. A Terapeuta encerrou a atividade e ficou muito tempo abraçada comigo. Eu chorava no seu ombro e ela no meu. Naquele instante todos os vários instrumentos musicais silenciaram. As notas dos nossos soluços ecoavam melancólicos pela sala acústica. “Quando o amor chega, além da morte, o ar está cheio de alguma coisa.”

  • Escondida e enraizada em um mundo precário

    Tempo de escolher o meu lugar na terra. Terei forças e condições para decidir e encontrar o lugar onde possa me aquietar e enraizar longe da agitação deste mundo precário? Eu fui à Floresta porque queria viver livre. Eu queria viver profundamente, e sugar a própria essência da vida... expurgar tudo o que não fosse vida; e não, ao morrer, descobrir que não havia vivido. * Henry David Thoreau * É uma manhã de verão. Olhei meu plano de atividades e estava agendado uma caminhada com as colegas do "grupo amarelo" em tratamento psicossomático da estação 3 às 7: 40  com o terapeuta Herr Grundböck. Grundböck sempre escolhe um novo caminho quando nos reunimos à sua volta. Discute as sugestões democraticamente onde devemos ir. Dessa vez eu me desloquei da equipe e fui andando sozinha e silenciosa porque a trilha  escolhida era onde eu tinha andado com Jüergen no verão passado. Lembrei que estava guiando Jüergen em uma das raras vezes: "Mostre-me o caminho, que descobertas tem feito?" Ele me falava ansioso por uma bela fotografia. Eu estava feliz porque eu tinha andado pelas trilhas antes e sabia exatamente o que ele gostaria de ver. Marquei bem os lugares e estava saltitando na frente dele descrevendo a beleza do lugar e dos pontos que eu guardei para ele ver. Então, agora as lágrimas desciam pelo meu rosto. Admiro as raízes das árvores agarradas às laterais de uma ravina íngreme que leva ao rio Auerbach em Oberaudorf. Sinto irmandade com esses seres enraizados enquanto agarro a terra e me seguro para não deslizar. Nas últimas chuvas as folhas ao chão ficaram escorregadias e há musgos nas pedras. Eu me inclino para grandes carvalhos e os seguro na descida para conforto e estabilidade. Minhas botas de caminhada não são as mais apropriadas agora. O terapeuta segue conversando com um ou outro membro da equipe. Espera-me ao ver meu caminhar sozinha destacada do grupo. Pergunta o que está acontecendo. "Porque está chorando? Algum problema?" Apenas seguro no ombro dele e dou uma batidinha de leve para que ele entenda que é apenas o meu momento. Ele caminha algum tempo em silêncio ao meu lado. O Rio Auerbach está cheio por causa das chuvas intensas destes dias de verão. Podemos ver o quão alto a água corre e quão alto pula os obstáculos do seu percurso. Apesar das margens íngremes, as árvores permanecem altas e retas, velhas e majestosas. Olho para as montanhas e agradeço. Foi aqui neste lugar em meio ao rio, lagos, florestas e montanhas que Jüergen me deixou e não vai vir me buscar quando meu tratamento encerrar. Não virá me deixar flores, não o verei com seu andar tímido escondendo uma rosa com as mãos para trás. Em homenagem a ele construí um apanhador de sonhos e o coloquei balançando ao rio. Fiquei observando o seu movimento giratório calmo em um vento leve. Então disse: "Quero viver a calma deste movimento daqui para frente" Desci pela escada de pedras cobertas de musgo e galhos de árvores mortas até a ilha que se formou abaixo. Lembro que a caminhada original era irregular, afundava e escorregadia, nós não tivemos coragem de descer até o rio. Agora eu me esgueirava para baixo para colocar o apanhador de sonhos. Espero que ele fique um bom tempo e que eu possa vê-lo no futuro. O verão está mais quente este ano mas as pequenas margaridas ainda estão por toda parte, colho um pouco para um vaso em minha cabeceira na clínica. Agora eu preciso oferece-las a mim mesma. Perto do rio, o musgo verde cobre as pedras de granito. Essas pedras pesadas estão plantadas aqui como eu também gostaria de estar sendo enraizada na calma destas águas frescas. Os Cogumelos crescem nas raízes mortas e grandes caracóis também se escondem nos seus espaços ocos. Eu poderia me mudar para a cidade, morar em um apartamento e andar nas calçadas, mas gostaria de criar raízes nestes belos lugares da Bavaria onde Jüergen me deixou. Como estas árvores, pedras, musgos, cogumelos, caracois eu gostaria de ficar. Gosto dos diferentes tons de verde. Verde é a cor dos ciclos da vida, a cor da esperança. O verde me lembra como sou grata por viver em um mundo que é verde mesmo durante este ano excepcionalmente seco. Conheço as árvores e os caminhos desta floresta. Conheço os riachos e o pântano. Olho as caixas de ovos de mariposa nos troncos das árvores e sei que uma infestação já está aqui e vai piorar. Olho para a ampla pilha de madeira nos celeiros do caminho e tenho sensação de segurança. Creio que tudo está se preparando para este encontro com o futuro sem o Jüergen. Tenho um pouco de receio do inverno sozinha mas como a pilha de madeira eu poderei aprender a guardar as reservas para o frio, organizar contas, pagar impostos e manter a casa aquecida. E, quando uma tarefa estiver além de mim, saberei para quem ligar. Onde suas raízes estão plantadas? Elas estão em um lugar onde você está há muito tempo ou você criou novas raízes mais recentemente? Onde você gostaria de parar para descansar quando tudo ficasse mais lento na vida?

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